Quantos Giordanos Bruno ainda deverão ser queimados para aplacar a intolerância religiosa?

"Frei, Filósofo, astrônomo e matemático, importante pelas suas teorias sobre o universo infinito e a multiplicidade dos sistemas siderais, no que rejeitou a teoria geocêntrica tradicional e ultrapassou a teoria heliocêntrica de Copérnico que ainda mantinha o universo finito com uma esfera de estrelas fixas.... mostrar mais "Frei, Filósofo, astrônomo e matemático, importante pelas suas teorias sobre o universo infinito e a multiplicidade dos sistemas siderais, no que rejeitou a teoria geocêntrica tradicional e ultrapassou a teoria heliocêntrica de Copérnico que ainda mantinha o universo finito com uma esfera de estrelas fixas. Embora tais campos não existissem ainda na ciência, pode-se dizer que Bruno esta interessado na natureza das idéias e do processo associativo na mente humana. Por outro lado, está fascinado em prover com um embasamento filosófico as grandes descobertas científicas de seu tempo."

"Fiel a sua primeiras leituras sobre a teoria luliana, quando professor na universidade de Toulouse Bruno escreve um livro: Clavis Magna ("A grande chave") sobre o assunto. De Toulouse seguiu para Paris, em 1581. Em Paris começou a dar aulas de filosofia. Não era incomum para os eruditos vagar de lugar para lugar, buscando alunos e protetores abastados. Ele fazia contactos facilmente e podia interessar qualquer grupo que encontrasse com o fogo de suas idéias."

"Suas tendências heterodoxas provocaram censuras e admoestações e por fim chama a atenção da Inquisição em Nápoles. Em 1576 deixou a cidade para escapar a um processo de heresia instaurado pelo Provincial da ordem. Fugiu para Roma onde foi vítima de uma acusação improcedente de assassinato. Um segundo processo de excomunhão em Roma fez com que fugisse novamente. Deixou o hábito dominicano e perambulou pelo norte da Itália por mais de um ano. Em 1578, viajou para a França e Suiça, onde, em Genebra, ganhava a vida fazendo revisão de textos."
Bruno defendeu-se admitindo alguns erros teológicos menores, insistindo, no entanto, nos seus postulados básicos. O palco do julgamento veneziano parecia proceder de modo favorável a Bruno, quando então a Inquisição Romana pediu sua extradição.

Por solicitação insistente do Papa, curioso sobre a personalidade de Bruno e o conteúdo do processo com respeito a suas idéias, o tribunal de Veneza encaminha o prisioneiro para Roma, e em janeiro de 1593 Bruno entrou na cadeia do palácio romano do Santo Ofício. Em Roma, um frade, Celestino de Verona, junta novos testemunhos acusadores. Inicia-se um novo processo em 1593, este mais sério, acompanhado de torturas, e que haveria de prolongar-se por sete anos. O papa Clemente VIII (1592-1605) viria a ter papel decisivo no julgamento de Bruno. Apesar de engajado em refregas políticas com Veneza e Nápoles, ocupava-se zelosamente da doutrina da Igreja."

"O papa encarregou o cardeal Belarmino (1542-1621) de analisar e acompanhar o processo de Giordano Bruno."

"O cardeal Belarmino extraiu das obras de Bruno 8 heresias; as quatro mais graves são duas teológicas e duas filosóficas: Teológicas: (a) negaria a transubstanciação; (b) prioridade ideal e real do Pai e da subordinação do Filho, este originado de um ato da vontade do Pai, que lhe é preexistente. Filosóficas: (a) pluralidade dos mundos (os atos divinos devem corresponder à potência infinita de Deus) implicaria também várias encarnações de Cristo um número infinito de vezes...(raciocínio tipicamente escolástico), e (b) alma presente no corpo como o piloto no barco.
Durante os sete anos do julgamento romano, Bruno a princípio desenvolveu sua linha defensiva prévia, negando qualquer interesse particular em questões teológicas e reafirmando o caráter filosófico de suas especulações.

Bruno faz sua defesa sempre tentando convencer os inquisidores 1.) da legitimidade das suas idéias filosóficas e da possibilidade de concilia-las com a revelação religiosa, e 2.) alegando que a acusação toma peças isoladas do contexto de seu trabalho, e 3.) que não sabe sobre o que se emendar. Bruno finalmente declarou que não tinha nada de que retratar-se e que ele nem sabia de que se esperava que retratasse. Os inquisidores rejeitaram seus argumentos e o pressionaram para uma retratarão formal. A esta altura o Papa Clemente VIII ordenou que ele deveria ser sentenciado como um impenitente e herege pertinaz. A 20 de janeiro de 1600 Bruno é condenado."
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Hoje, qualquer manifestação, mesmo pessoal, de intolerância religiosa, remete-nos ao processo inquisitorial de Giordano Bruno, que pregava a tolerância e a libertação de dogmas.
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