Anônimo
Anônimo perguntou em Educação e ReferênciaNível Fundamental e Médio · Há 1 década

Quais os problemas ambientais ocasionados pelo vazamento do petróleo?

estou fazendo um trabalho sobre vazamento de petróleo nos mares, quem puder me ajudar com alguma informação sobre esse caso, será bem vindo

obrigada desde já.

2 Respostas

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  • Há 1 década
    Resposta favorita

    O VAZAMENTO DE PETROLEO: CAUSAS E CONSEQUENCIAS

    Cesar Drucker

    de Houston, nos Estados Unidos

    O impacto que está ocorrendo sobre o publico e a mídia norte-americanas,

    devido à catástrofe ambiental no Golfo do México, vai ocasionar modificações na

    indústria do petróleo nesse pais, e em escala maior, nas suas políticas publicas de

    energia. E isto certamente vai afetar varias atividades produtivas do Brasil.

    Por enquanto, a companhia responsável, British Petroleum, alugou um Centro

    de Convenções enorme, onde montou um centro de crise, com cerca de mil técnicos,

    que até hoje nem definiu exatamente o que ocorreu, nem pôde produzir uma solução

    para deter o vazamento.

    A direção da companhia, para amenizar, diz que “acidentes acontecem”. Mas a

    responsabilidade maior é atribuída ao governo anterior, que deu toda a força às

    empresas petrolíferas, enfraqueceu as agencias governamentais que autorizam e

    controlam a perfuração de poços, e negou qualquer iniciativa para a sustentabilidade.

    Este é um exemplo dramático de como a interferência da política (leia-se

    interesses econômicos) no funcionamento da administração publica causa prejuízos não

    somente imediatos, mas que se estendem a dezenas de anos depois do primeiro impacto.

    Sem falar da devastação ambiental

    causada, do mito arranhado da eficiência

    norte-americana, e da falácia de que a

    produção industrial sabe se auto-regular sem

    o controle do governo, há aqui dois aspectos

    que nos dizem respeito quanto à engenharia:

    como a técnica foi desvalorizada, e como o

    controle técnico foi corrompido.

    Um gerente de segurança industrial

    na indústria do petróleo contou-me que

    devem ter deixado de seguir as praticas

    seguras do ramo, aqui chamadas de “ Best

    Available Technology “ , porque aumentam

    o custo em 25%, e não estava havendo

    controle do governo. Nem sequer foram

    instaladas as comuns válvulas inferiores de vedação com controle remoto, que

    poderiam ter evitado o vazamento. Faltou a assessoria do nosso especialista Jaques

    Sherique.

    O enorme poder econômico das empresas de petróleo aproveitou o esvaziamento

    do órgão do governo responsável , o Serviço de Gestão de Minerais , MMS, e

    comprovadamente subornou seus fiscais de perfuração. Mesmo depois do desastre,

    quando o atual presidente publicamente suspendeu a emissão de licenças para novas

    perfurações, as empresas ainda conseguiram algumas.

    Há duas coisas que surpreendem os brasileiros. Uma é o baixo preço da gasolina,

    R$ 1,60. Outra é que é proibido por lei a perfuração de petróleo nas duas costas do pais,

    a do Atlântico e a do Pacifico, há 40 anos, devido a um vazamento ocorrido na costa da

    Califórnia em 1969.

    Como são grandes o consumo e a dependência americana do petróleo - 37% da

    sua matriz energética - as empresas norte-americanas de perfuração marítima

    procuraram outros mares, como os em frente a Angola e Nigéria. Esta ultima,

    produtora maciça de mais de 2 milhões de barris por dia, fornece cerca de 10% do

    consumo diário americano. E lá ocorrem quase que mensalmente vazamentos gigantes,

    como o atual e o do Alaska, considerado o maior da historia até agora. Portanto, aquelas

    empresas exportam os problemas ambientais americanos. Só que os ditadores locais não

    deixam vir a público.

    Há opiniões responsáveis que comentam duas incoerências. Por justiça, como os

    americanos são grandes consumidores, deveriam ter, nas suas áreas costeiras, os ônus da

    exploração do petróleo que consomem. E não cabe reclamar da falta de democracia nos

    países africanos, enquanto ocorrer lá esta forma de produção.

    Todas as respostas para a presente questão do petróleo têm um ponto em comum:

    o aumento dos preços dos produtos nas prateleiras dos supermercados. Ainda vai ser

    necessário muito petróleo, nos próximos 20 ou 30 anos, tanto pelo crescimento do

    consumo, quanto pela lentidão do desenvolvimento de energias alternativas. O que se

    espera é que desta catástrofe resulte, pelo menos, um forte incentivo para o uso de

    formas mais racionais da produção de energia.

  • Anônimo
    Há 1 década

    utilização do petróleo traz grandes riscos para o meio ambiente desde o processo de extração, transporte, refino, até o consumo, com a produção de gases que poluem a atmosfera. Os piores danos acontecem durante o transporte de combustível, com vazamentos em grande escala de oleodutos e navios petroleiros.

    No Brasil, os piores acidentes aconteceram em oleodutos da Petrobras, na Baía de Guanabara e no Paraná. Para enfrentar os riscos ambientais a Petrobras criou o Programa Pégaso e várias universidades brasileiras desenvolvem pesquisas para criar formas eficientes para a limpeza de áreas degradadas.

    O mais recente vazamento de petróleo com graves conseqüências ambientais aconteceu no final de novembro, com o afundamento de um petroleiro na costa da Espanha que transportava 77 mil toneladas de óleo combustível. O acidente pode se tornar uma das maiores catástrofes ambientais da história causadas por vazamento de óleo. O navio Prestige, das Bahamas, afundou no dia 19 de novembro a 250 quilômetros da região da Galícia. O vazamento de óleo já atingiu as praias e as encostas da Espanha. Segundo as organizações ambientais, entre 10 a 15 mil pássaros foram afetados.

    Em termos de catástrofe ambiental, um dos maiores acidentes aconteceu com o petroleiro Exxon-Valdez em 1989, quando o vazamento destruiu parte da fauna da costa do Alasca.

    Para o Greenpeace, o uso de combustíveis fósseis não renováveis sempre oferecerá riscos para a natureza, como afirma John Butcher, da Campanha de Substâncias Tóxicas do Greenpeace brasileiro. "O problema é muito maior, a questão para evitar acidentes não se resume à manutenção e fiscalização. Sempre haverá um risco contínuo com esses tanques enormes. O problema é a matriz energética e o Greenpeace defende a substituição e a eliminação gradual dos combustíveis fósseis por fontes renováveis alternativas como a energia eólica, solar e a energia das marés", diz Butcher.

    Para minimizar os efeitos dos acidentes e vazamentos, existem várias iniciativas governamentais no Brasil. A principal delas é a Recupetro (Rede Cooperativa em Recuperação de Áreas Contaminadas por Atividades Petrolíferas). Com a coordenação do Núcleo de Estudos Ambientais da Universidade Federal da Bahia (UFBA), a Recupetro reúne 13 Redes Cooperativas de Pesquisa do Setor de Petróleo e Gás Natural nas Regiões Norte e Nordeste financiadas pelo CT-Petro (veja texto), CNPq e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

    Ao todo, são 226 pesquisadores e cerca de 2,2 mil participantes indiretos, a maioria atuando em universidades federais. A Recupetro começou a se formar após o edital da Finep, em julho de 2001, convocando grupos para a formação da rede. Os trabalhos de pesquisa começaram em setembro.

    O objetivo é contribuir com avanços tecnológicos para auxiliar nos impactos ambientais causados pela atividade da indústria petrolífera. Além disso, a rede se propõe a realizar a formação e capacitação de recursos humanos especializados para gerenciar os problemas do meio ambiente causados pelas atividades de exploração, produção, refino e transporte de petróleo e seus derivados nas regiões do país onde acontecem estas atividades.

    A rede formada nas regiões Norte e Nordeste é oportuna, porque essas são regiões grandes produtoras de petróleo e onde ocorrem desastres ecológicos com certa freqüência. O coordenador da rede é o professor Antônio Fernando Queiroz da UFBA. "Na Bahia, há vários derramamentos de óleo nas regiões de produção de petróleo, como em São Francisco do Conde", afirma Queiroz. Ele diz que cada um dos grupos desenvolve trabalhos específicos, como por exemplo, pesquisas com microorganismos para a limpeza de óleo despejado na natureza.

    Um dos grupos que fazem parte da Recupetro é a Universidade Federal do Ceará (UFC), através do Padetec (Parque de Desenvolvimento Tecnológico). O pesquisador Afrânio Craveiro, do Padetec, coordena os estudos sobre polímeros naturais, de quintina e quintosana, para a remoção de óleo do mar. O projeto ainda está na fase laboratorial e consiste em produzir fibras de carapaça de crustáceo para a absorção do petróleo despejado no meio ambiente.

    Quanto às possibilidades desse método ser usado em grandes acidentes como o da Espanha, Afrânio Craveiro diz que, "sem dúvida, este é um caso aplicável, mas no momento ainda não temos a produção de matéria prima, estamos em uma fase piloto, que depois poderá ser produzida em escala industrial".

    A próxima etapa do projeto é produzir microorganismos para digerir o óleo absorvido pelas fibras. Ele fica imobilizado nas fibras e não se espalha no meio ambiente. Essa outra parte da pesquisa está sendo desenvolvida na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), com a coordenação da pesquisadora Maria do Carmo de Barros Pimentel.

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