Você perdoaria uma traição?

Foi traída? Em caso de perdão, faça direito

Se prepare, hoje vou começar enfiando o pé na porta: quer perdoar uma traição, ótimo, perdoe, acho lindo, mas não use o ato como um trunfo a seu favor. Vade retro essa gente que perdoa só para fazer do outro um eterno refém, como Bianca, uma prima de uma amiga de um amigo meu. Agora que eu já comecei, melhor contar a história toda, não é? O namorado da Bianca (eu o apelidei de Mister Colírio) há dois meses soltou uma bomba: numa viagem com amigos, ele transou duas vezes com uma garota. Ao voltar para casa, Mister Colírio achou melhor contar a verdade à namorada. Bianca quebrou três pratos, uivou, chorou e depois perdoou, ou melhor, disse ter perdoado. No entanto, a partir daí, a vida de Mister Colírio se tornou um inferno: tudo é motivo para Bianca trazer à tona a traição e humilhá-lo na frente de qualquer um, inclusive de mim, que não tenho nada a ver com isso. Mister Colírio, por culpa e talvez autopunição, tem suportado pacientemente os chiliques de Bianca. Até quando, não sei.

Quem olha de fora vê uma menina traída dando uma nova chance ao namorado sem-vergonha. A verdade, porém, é bem outra. Bianca nunca traiu Mister Colírio, não por ser virtuosa, mas por falta de oportunidade: sei que ela se desmancha por um certo colega de trabalho. Usando seu poder de santa do pau oco, cada vez que Mister Colírio faz menção de olhar para o lado, Bianca, com o dedo em riste, o lembra de que ela o perdoou e que, por isso, merece devoção absoluta. Não, Bianca, isso não é perdão: é ódio. Ódio porque o colega de trabalho nunca te deu bola. Ódio porque você não pôde dar vazão a um desejo tão natural quanto chupar um sorvete numa tarde quente. Ódio porque seu namorado não transou apenas uma vez com a garota, mas transou duas e você sabe que se ele tivesse ficado mais tempo viajando essa conta subiria. Ódio porque você, eu, a vizinha e a pelada da revista somos substituíveis, assim como Mister Colírio também é. Não se iluda: iludidas sofrem mais e amam menos. Uma observação ficou faltando: por que Mister Colírio precisava ajoelhar no milho da culpa? Pra que contar? Teve a sensatez de usar camisinha? Então boca fechada, rapaz! Se é macho para sair com outra, tem de ser macho para lidar com seus próprios demônios. E da próxima vez, vê se vale a pena segurar a onda.

Quanto ao perdão, ele tem de ser 100% verdadeiro, senão vira instrumento de tortura. Perdoar significa aceitar a humanidade nos seus aspectos obscuros, aceitar que você poderia fazer a mesma coisa que critica, aceitar que o perdão só liberta uma pessoa e apenas uma: você. O resto é produto falsificado.

Olha, muita coisa acontece com um casal até rolar uma traição propriamente dita. Alguém que se sente chocado e surpreendido com o fato de que seu amorzinho lhe meteu um belo par de chifres, se for sincero consigo mesmo verá que estava na cara que isso ia acabar acontecendo. A verdade é que sempre sabemos quando deixamos de ser amados – quando a antiga paixão virou um mero hábito de estar junto, algo que vamos prorrogando por simples acomodação, até que um dia, pimba, alguém toma coragem de dizer que já faz tempo que as coisas não andam muito legais entre vocês e que é melhor sentar e conversar. Pois é, sentar e conversar. O problema é que raramente somos sinceros o bastante nessas conversas.

Mesmo que tenhamos deixado de amar alguém, sentimos escrúpulos, inibições e, talvez mais do que tudo, uma vontade doida de estarmos enganados a esse respeito. Dada essa nossa tendência à auto-ilusão – porque, compreensivelmente, não queremos sentir dor, nem infligir dor ao próximo – muitas vezes a ficha de que realmente não queremos mais estar com uma pessoa só cai após darmos uma bela pulada de cerca. Se não conseguimos ser sinceros com as palavras, nosso corpo dará um jeitinho de exprimir toda a sinceridade de que necessitamos. A questão colocada foi: perdoar ou não uma traição descoberta? Bom, ninguém tem de pedir perdão porque deixou de amar alguém. E ninguém tem de perdoar alguém porque deixou de ser amado. Por mais doloroso que seja, o negócio é compreender e aceitar que o jogo acabou, game over, c’est fini. E que a pulada de cerca foi um detalhe ínfimo, irrisório, irrelevante mesmo nisso tudo. E o que dizer da pura e simples galinhagem? Das puladinhas de cerca circunstanciais? É algo perdoável? Eu acho o seguinte: ninguém está imune a tentações. Todo mundo tem sua cota de vaidade, mais ou menos ansiosa por ser satisfeita. Há os que se lançam a flertes superficiais e se satisfazem apenas em se sentirem desejados.

Há os que precisam meter o pé na jaca mesmo. Há os que autorizam um parceiro ciumento a lhes manter sob rédeas curtas, aliviando-os da responsabilidade pelas próprias escolhas. E há os que, apesar de reconhecerem que as tentações até existem, não as acham suficientemente tentadoras. O ideal seria que todos jogassem limpo sobre o modo como lidam com os próprios desejos. Mas, sabe-se lá por que, meio que to

8 Respostas

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  • Anônimo
    Há 10 anos
    Melhor resposta

    Ótimo texto, mas vou resumir. Se um homem me trair eu arranjou outro, homem que não serve e não segue as regras de um compromisso merece ser trocado, eu fiz assim cm o ex, e estou cm o atual, se o atual fizer como o ex, ele também sera um ex pra mim.

  • Há 10 anos

    Meu bom homen,o fato de voçe se achar o observador e o analista não te da o direito de comprometer ou até mesmo de apontar uma ação universal,pois o ser humano tem uma ramificação enorme de individuos e atitudes...nunca voçe estaria certo julgando ou apenas apontando o dedo pra fulano e falando toda a vida dele apenas por um olhar,voçê presciza sentir na pele,sabe o que e ih o que não e...viva um pouco,ih pare de observar a vida dos outros...pois todos somos mortais com atitudes diferentes nunca unicas...jamais...ih respondendo sua pergunta exageradamente exagerada...não,não perdoaria uma traição.

  • Há 10 anos

    não pq não sou otária

  • Há 10 anos

    Não, eu acho que não.

    Nunca se sabe....

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  • Há 10 anos

    Cada caso é um caso, dizem que ama perdoa,mas quem ama mata por amor e também se mata

    particularmente eu até perdoaria mas entraria em acordo eu com o pé ela com a bunda. Na real-

    cão tem que existir aquele compronetimentoa cumplicidade nomomento o que acabar mesmo que

    queira voltaratrász não vai existir mais amor, só resta a desconfiança a discórdiaódio odio e ai que vai acontecer novamente mais traição, um que traiu e o outro porque foi traido

  • Anônimo
    Há 10 anos

    Puts não lii nda , rçrç

  • Há 10 anos

    Entendo que você queria expor teus sentimentos, porém

    O que não tem perdão aqui no ID Yahoo são textos longos

    Abraços

  • Há 10 anos

    I DON´ T

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