Voces querem conhecer o inferno ?

=========================== ...Uma carta REAL... DO INFERNO .... - PESQUISE O COMPLETO COMO... "O GRITO LANCINANTE DE UMA ALMA" "...Eu tinha uma amiga. Isto é, entramos em contato, por causa do escritório, onde trabalhávamos uma ao lado da outra, em uma firma comercial. Mais tarde Anita... mostrar mais ===========================
...Uma carta REAL... DO INFERNO ....
- PESQUISE O COMPLETO COMO... "O GRITO LANCINANTE DE UMA ALMA"

"...Eu tinha uma amiga. Isto é, entramos em contato, por causa do escritório,

onde trabalhávamos uma ao lado da outra, em uma firma comercial.

Mais tarde Anita se casou e nunca mais a vi. Afinal, reinava entre nós duas,

desde o começo, mais cortesia do que propriamente amizade. Por isso mesmo,

pouco senti sua ausência, quando ela, após seu casamento, foi morar em um

quarteirão de vilas..., muito longe de minha casa.

Quando no outono de 1937, passava minhas férias às margens do lago de Garda,

escreveu-me minha mãe, pelos fins da segunda semana de setembro: “veja, Anita

N. morreu! Foi vítima de um acidente de automóvel. Foi sepultada ontem em

Waldfriedholf, cemitério do bosque”.

Esta notícia me espantou. Sabia que Anita nunca fora muito religiosa. Estaria

preparada, quando Deus, assim de improviso, a chamou?

Na manhã seguinte, assisti a santa missa por ela, na capela particular da

pensão das freiras, onde estava hospedada, rezei fervorosamente pela paz de

sua alma e até ofereci a Comunhão nesta intenção.

Mas, o dia todo senti um certo mau-estar que pela tarde aumentou ainda mais.

Adormeci inquieta. Enfim, fui acordada por um violento bater à minha porta.

Acendi a luz. O relógio, sobre o criado, marcava meia noite e dez. Não vi

ninguém. Nenhum barulho se ouvia pela casa. Somente o das ondas do lago de

Garda que se quebravam monótonas contra a murada do jardim da pensão. De

vento, não se ouvia nem um sopro. E no entanto, ao acordar tinha acreditado

perceber, além das batidas da porta, um rumor de vento semelhante àquele que

se produzia quando meu chefe de escritório, aborrecido, me passava, de mau

jeito, alguma carta.

Refleti por um instante se devia levantar-me. “Tudo histórias..., disse

resolutamente a mim mesma. — É a tua imaginação excitada depois daquele caso

de morte”. Virei-me para o outro lado, rezei alguns “pater” pelas almas do

purgatório e procurei dormir...

Mas, senti-me irresistivelmente invadida por uma sensibilidade interior que

se tornava sempre mais lúcida e nítida, enquanto ao redor de mim a

profundidade da noite desvanecia em urna transparência indefinível que dava a

mim mesma e a todas as coisas circunstantes, um contorno sem espaço, fora do

comum.

Levantei-me alucinada e resolvi, mais depressa do que costumava, descer para

a capela da casa, como todas as manhãs. Ao abrir a porta do quarto, tropecei

em um maço de folhas soltas de papel de carta. Apanhá-las, reconhecer a

caligrafia de Anita e dar um grito foi tudo a mesma coisa....

Agarrei a carta. Faltava a assinatura. Mas, era, com absoluta certeza, a

caligrafia de Anita. Não faltava nem mesmo o grande rabisco ornamental do S e

o T à francesa, que ela havia aprendido no escritório para aborrecer o Sr.

Gr...

A sua carta do outro mundo eu a reproduzo aqui, palavra por palavra, como a

li, então. Dizia assim:

“Clara, não reze por mim! Estou condenada.[2] Se lh’o comunico e lh’o refiro

mais longamente, não pense que o faça a título de amizade. Nós aqui não

amamos a mais ninguém. Faço-o como que forçada. Faço-o como “parte daquela

potência que sempre quer o Mal e f az o Bem”.[3]

Na verdade desejaria vê-la também chegar a este estado onde eu já me aportei

para sempre....
Nós não conhecemos aqui nada de bom. Em ninguém....

Antes não tivesse existido! Pudesse eu agora aniquilar-me e fugir destes

tormentos!...

Detesto tudo isto como detesto quem frequenta a igreja, e, em geral, todos os

homens e todas as coisas...

Quer saber? - Nós aqui bebemos ódio como água. Também uns para com os

outros.[9] Sobretudo, odiamos a Deus.

Quero que você entenda. Qs santos no céu, devem amá-Lo, porque eles O vêem

sem véu, na sua fulgurante beleza. Isto os torna de tal maneira felizes que

nem se pode descrever. Nós o sabemos, e este conhecimento nos torna

furiosos.[10]...


Você compreende, agora, por que é que o inferno dura para sempre? Porque

nossa obstinação jamais se desligará de nós.!!!

Constrangida — acrescento que Deus é misericordioso até mesmo conosco. Digo

“constrangida”, pois que, mesmo escrevendo espontanemente esta carta, nem

assim me é permitido mentir, como quereria. Muitas coisas escrevo no papel

contra a minha vontade. Até mesmo o ímpeto de impropérios que gostaria de

vomitar, eu o devo abafar. Deus foi misericordioso conosco não deixando

esgotar na terra nossa malvada vontade como estávamos dispostos a fazer. Isto

teria aumentado nossas culpas e nossas penas.

Ele nos fez morrer antes do tempo, como eu, ou fez interferir outras

circunstâncias atenuantes. Agora, Ele se mostra misericordioso conosco, não

nos obrigando a aproximar-nos d’Ele mais do que o estamos, neste
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