Após ceder ITAIPU ao Pres. Lugo, Lula quer um Banco do Sul, para usufruto do ditador Chaveco, pago por nós!?

Traição pura e simples ,ou refraseando, fidelidade ao Foro de São Paulo e fomento de governos autoritários esquerdistas na América Latina, como queiram. Editorial do Estado de São Paulo, hoje A FESTIVA CRISE DO MERCOSUL Nenhum problema importante do Mercosul foi resolvido na reunião de cúpula de... mostrar mais Traição pura e simples ,ou refraseando, fidelidade ao Foro de São Paulo e fomento de governos autoritários esquerdistas na América Latina, como queiram.

Editorial do Estado de São Paulo, hoje

A FESTIVA CRISE DO MERCOSUL


Nenhum problema importante do Mercosul foi resolvido na reunião de cúpula de Assunção, na sexta-feira, mas o encontro não foi inteiramente inútil: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apontou aos companheiros o caminho para tornar a região "independente dos humores dos grandes bancos internacionais". O roteiro da salvação inclui a adoção do Sistema de Comércio em Moeda Local (SML) e a instalação do Banco do Sul, uma invenção do venezuelano Hugo Chávez e do ex-presidente argentino Néstor Kirchner. O comércio em moeda local permitirá aos países do bloco livrar-se da sujeição ao dólar, o decadente símbolo de um império ainda mais decadente. Com o banco, os países terão dinheiro não só para desenvolver-se, mas também para resolver seus problemas sem ter de recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI), ao Banco Mundial (Bird) e a outras entidades igualmente sinistras.

Quando o presidente Lula anunciou a fórmula da salvação, na abertura da 37ª Reunião de Cúpula do Mercosul e dos Estados Associados, os ministros e funcionários de segundo escalão já haviam enterrado qualquer expectativa de solução das questões importantes para todo o bloco. Mais uma vez, não houve acordo para o fim da cobrança dupla da Tarifa Externa Comum (TEC). Uruguaios e paraguaios denunciaram a paralisia do Mercosul, causada, segundo afirmaram, pelas decisões arbitrárias tomadas pelos dois sócios maiores, Brasil e Argentina. O secretário de Relações Econômicas da chancelaria argentina, Alfredo Chiaradia, rechaçou as críticas e defendeu a manutenção das barreiras comerciais impostas por seu governo. O comentário foi ainda mais importante para os brasileiros do que para os outros sócios, porque é o Brasil o grande alvo do protecionismo argentino. Diante dessa atitude, o presidente Lula terá maior dificuldade para resistir às pressões da Confederação Nacional da Indústria (CNI) para abertura de um painel na Organização Mundial do Comércio (OMC) para discussão das barreiras argentinas. Quem resumiu o quadro geral com maior propriedade foi o ministro de Relações Exteriores do Paraguai, Héctor Lacognata. O Mercosul, segundo ele, "vive um momento muito grave" e está "em estado terminal".

O ministro Lacognata não disse nenhuma novidade. Apenas apontou em linguagem direta um fato conhecido de qualquer pessoa informada sobre a diplomacia regional e sobre os impasses do bloco. Mas nada poderia impedir as costumeiras bravatas do presidente Lula. Ele chegou até a reconhecer a existência de algumas dificuldades, mas o Mercosul, segundo ele, é uma obra em construção.

A defesa do comércio com moedas locais é uma das novas fixações do presidente brasileiro. O sistema foi adotado no comércio entre Brasil e Argentina a partir de outubro do ano passado, mas, até agora, os pagamentos em reais e pesos correspondem a menos de 2% do valor das transações. A inovação pode ser útil, porque simplifica e barateia as trocas, dispensando as empresas das operações de câmbio. Mas não é nem pode ser um sistema obrigatório. A maioria das exportadoras, principalmente grandes e médias, tem clientes em diferentes países, precisa de moedas conversíveis para suas operações e não tem como dispensar o dólar. O presidente Lula parece desconhecer ou menosprezar esse fato, quando age como porta-bandeira da substituição da moeda americana pelas moedas nacionais no comércio entre países. Já propôs a mudança ao governo chinês e a autoridades de outros países - sem sucesso, naturalmente. "Precisamos educar nossas empresas para gostar de nossas moedas e não precisar tanto de dólares como hoje", disse Lula. As empresas, no entanto, conhecem suas necessidades e nada têm para aprender de Lula e de seus arremedos de assessores.

A adoção facultativa das moedas locais pode ter alguma utilidade e isso será julgado em cada caso. Mas o entusiasmo de Lula em relação ao Banco do Sul é mais uma tolice. Brasília resistiu inicialmente à proposta, acabou aderindo e agora o banco é apresentado pelo presidente como instrumento de redenção financeira. Se vier a funcionar, imporá ao Brasil mais um encargo injustificável e será incapaz de substituir financeira e tecnicamente o FMI, o Bird e o Banco Interamericano de Desenvolvimento. A fantasia de liderança regional de Lula já custou muito ao Brasil. Pelo jeito, vai custar muito mais ainda.
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