Qual e importância do negro e do afro-descendente nos vários ciclos da economia brasileira e americana???

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Contribuição africana


Poderíamos falar da contribuição africana no desenvolvimento dos outros dois principais ciclos econômicos que construíram ao curso de sua história o Brasil. Como por ex. o Ciclo da Cana de Açúcar, responsável pelo início da imigração africana; o que adiantaria ter terras férteis, mudas, e mercado para cana de açúcar, sem o braço negro? Também foi o negro escravo que derrubou as matas e abriu as primeiras fazendas de café (lembram as novelas de época da Globo?) Quando chegaram os primeiros imigrantes europeus, o serviço mais pesado já estava concluído.

A contribuição africana, embora involuntária e demasiadamente sofrida, contribuiu sobremaneira para a consolidação do Brasil, como Estado, território e economia sem considerar naturalmente a cultura, pois culturalmente o nosso país é negro. Contribuição involuntária, porque a despeito de outras imigrações (italiana, japonesa, alemã, polonesa, etc.), que vieram por livre e espontânea vontade, geralmente fugindo da guerra, fome e/ou perseguição política; nossos ancestrais foram seqüestrados, roubados na África e vendidos como mercadoria no Brasil, gerando lucros enormes. Nossos co-irmãos de outras imigrações também contribuíram significativamente para o crescimento do Brasil.

Mesclaram-se culturalmente e sangüineamente com os antigos brasileiros e hoje são nossos novos irmãos brasileiros. Contribuição africana é a comida, o samba, o futebol, o nosso jeitinho, alegria, a dança, é Yemanjá, Oxóssi, a risada aberta, o carnaval é a bunda (palavra e formato sensual), etc., etc. Poderíamos neste período de reflexão sobre o negro na sociedade brasileira, ao invés do discurso uníssono da mídia de mais um feriado que deveria ser extinto (porque não outro como o dia 7 de setembro fruto de uma disenteria e discórdias entre pai e filho?) Aproveitaram a semana da consciência negra para falar que são contra o sistema de cotas nas universidades etc., etc. Pô! Depois de tanta contribuição, tendo como pagamento apenas chicotadas, pois indenização mesmo tiveram os fazendeiros donos de escravos pela perda de seu “patrimônio”. E depois de 300 anos de trabalhos sem remuneração e sofrimento receberam as portas das fazendas abertas para sua saída, sem indenizações, sem a janta do dia, sem roupas decentes, sem casa, sem escola, sem respeito, sem história e atulhados de preconceitos que alguns persistem até hoje. Alguns ficaram dentro da senzala, se sentiam mais protegidos.

A maioria de seus descendentes vagueiam do Morro da Babilônia, no Rio de Janeiro, ao Praeirinho, em Cuiabá, ou em qualquer periferia do país, sobrevivendo nas mesmas condições de seus antepassados no dia seguinte ao da libertação, entregues a sua própria sorte sem ajuda e sem apoio até os dias de hoje. Se existissem tais políticas não teríamos estes vergonhosos números sociais que afligem sem pena a nossa comunidade. Por ex. apenas dois números: segundo o IBGE, existem no Brasil 30 milhões de crianças e adolescentes vivendo abaixo da linha de pobreza e entre elas 59,6% são negras e 34,5% são brancas. Também temos 800 mil crianças entre 7 e 14 anos fora da escola e 500 mil são negras.

Vamos falar da contribuição africana e da necessidade de políticas públicas que apóiem o desenvolvimento social, econômico e político de nossa comunidade, que atualmente com raras exceções apenas brilha (e como brilha), nos esportes, nas artes e na música. Temos de ter políticas (como a das cotas) que promovam a diminuição destes perversos números que confirmam a necessidade de políticas afirmativas para fazer justiça a enorme contribuição africana.


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