Anônimo
Anônimo perguntou em Ciências SociaisSociologia · Há 1 década

como podemos compreender a cultura segundo Malinowski?

é trabalho de escola pra sexta feira desde já agradeço ...bjks

2 Respostas

Classificação
  • Lúcia
    Lv 7
    Há 1 década
    Melhor resposta

    Ele lança mão da cultura como um meio proposto para atingir um fim almejado, ou seja, manipular o ambiente de alguma forma. Criada com a intenção de codificar atitudes baseadas na observação do próprio ecossistema e nos melhores caminhos para se lidar com problemas impostos pela natureza, a cultura em Malinowski é um meio pelo qual o ser humano satisfaz suas necessidades básicas, naturais.

  • Anônimo
    Há 1 década

    Foi no século XIX com a intensificação dos contatos entre europeus e os novos povos e juntamente com a expansão capitalista das nações européias que se generalizou às indagações e as preocupações científicas com a cultura.

    É nos séculos XVIII e XIX, que a cultura passa a ser sinônimo de civilização. É neste período que o Evolucionismo irá explicar a cultura como algo evolutivo, ou seja, determinado povo ou grupo deve passar por etapas para chegar a civilização e para os evolucionistas as etapas sempre são as mesmas para todos os povos.

    A partir daí surgem inúmeras Escolas que iram explicar o que é cultura. Desde o Estrutural-Funcionalista passando pelo Relativismo Cultural até as Teorias Idealistas ? cultura como sistema cultural e cultura como sistema simbólico.

    Para não ficarmos relatando como surge cada Escola iremos expor algumas idéias de alguns principais antropólogos dessas Escolas.

    Clifford Geertz, antropólogo norte-americano, em seu livro ?A interpretação das culturas? deixa claro que considera cultura um sistema simbólico, e é a partir desta definição de cultura que ele tenta buscar a definição de ser humano; ou seja, para Geertz, todos os homens são geneticamente aptos para receber um programa, e este programa é chamado pelo autor de cultura. Para Geertz, o status epistemológico das unidades culturais não depende somente de sua observalidade, muitas vezes os fantasmas podem ser categorias culturais. Pois na antropologia interpretativa desenvolvida por Geertz (1989), que se apóia nas idéias do sociólogo alemão Max Weber e na tradição fenomenológica, os saberes implícitos postos em funcionamento pelos atores sociais legitimam sua atividade prática.

    Mas para outros antropólogos, o conceito de cultura se diferencia. Para Franz Boas, cultura é algo particular: Boas percebe a cultura como algo autônomo. Já para Bronislaw Malinowski (1976), a existência da cultura se dá pela interação, na qual atuam os indivíduos.

    ?a cultura consiste no conjunto integral dos instrumentos e bens de consumo, nos códigos constitucionais dos vários grupos da sociedade, nas idéias e artes, nas crenças e costumes humanos. Quer consideramos uma cultura muito simples ou primitiva quer uma cultura extremamente complexa e desenvolvida, confrontámos-nos com um vasto dispositivo, em parte material e em parte espiritual que possibilita o homem fazer face aos problemas concretos e específicos que se lhe deparam. Estes problemas derivam do facto de o homem possuir um corpo sujeito às necessidades orgânicas mais variadas e de viver num meio ambiente que é o seu melhor amigo visto fornecer-lhe matéria prima destinada ao seu trabalho manual, mas que é ao mesmo tempo um inimigo perigoso, pois alberga muitas forças hostis. (MALINOWSKI, 1976, p. 37)

    Já Levi-Strauss (1996) considera cultura como a articulação de determinantes inconscientes e de manifestações institucionais.

    2.2 IDENTIDADE CULTURAL

    Segundo o antropólogo Denys Cuche (1999), cultura e identidade são dois conceitos que estão muito imbricados. O autor expõe que é preciso levar em conta a cultura quando falamos em identidades, mas que é preciso separar um e outro. No seu entendimento, culturas são processos inconscientes e identidades são processos conscientes. A cultura, segundo o autor, pode existir sem que haja uma consciência de uma identidade cultura. As estratégias de construção da identidade podem manipular e modificar a cultura.

    Cuche (1999) relata dois tipos de identidade a cultural e a social. A cultura (indivíduo), seria um conjunto de suas vinculações em um sistema social (classe sexual, classe de idade, classe social, nacionalidade). Ou seja, permite que o indivíduo se localize num sistema social e seja localizado socialmente. Já a identidade social dos grupos (coletiva), corresponde à própria definição do grupo, situando o grupo no conjunto social, isto é, identificando que são os membros do grupo ? ?nós?, os iguais ? e os distingue daqueles que não são membros ? ?os outros?, os diferentes de nós. Para Cuche (1999) identidade cultural é uma modalidade de caracterização da distinção nós/eles, baseada na diferença cultural.

    Existem várias concepções de identidade cultural há determinista e essencialistas (objetivistas), há subjetivista e há relacional e situacional que ultrapassam a dicotomia objetivismo/subjetivismo.

    As concepções objetivistas de identidade culturais são divididas em duas teorias, a genética/biológica para qual a identidade é vista como uma condição imanente do individuo, definindo-o de maneira estável e definitiva ? as características e qualidades psicológicas são vistas como herança biológica; racial. E a teoria Culturalista, a qual define identidade cultural pela socialização, pela interiorização de modelos culturais que são impostos pelos grupos de origem e recebidos de forma definitiva pelos indivíduos ? a língua, a cultura, a religião, o território, a ?personalidade básica?.

    Já a concepção subjetiva define a identidade como sendo um sentimento de vinculação a uma coletividade imaginária (em maior ou menor grau). O que define a identidade são as representações que os indivíduos fazem da realidade social e de suas divisões (escolha arbitrária). Ou seja, as identidades culturais são variáveis e efêmeras.

    Já a concepção relacional e situacional de identidade cultural, que ultrapassa a dicotomia objetivismo e subjetivismo, tem como um dos principais teóricos Frederik Barth que conceitua identidade como sendo uma construção que se elabora em uma relação que opõem um grupo aos outros grupos com os quais está em contato. Ou seja, a construção da identidade se faz no interior de contextos sociais que determinam a posição dos agentes e orientam suas representações e escolhas. A identidade é dotada de eficácia social e produz efeitos sociais reais.

    Portanto, a identidade não é definitiva nem estática. Ela se constrói e se reconstrói constantemente no interior das trocas sociais e ela existe sempre em relação a outra. A identificação acompanha a diferenciação. De acordo com Cuche (1999), uma mesma cultura pode ser instrumentalizada de modo diferente nas diversas estratégias de identificação. A identidade é o que está em jogo nas lutas sociais (processos de hetero-identidade, estigmatização, identidade negativa). Na construção da identidade etno-cultural usa-se a cultura, mas raramente todo a cultura.

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