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Da onde saiu o termo polícia "mineira" ?

4 Respostas

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  • Anônimo
    Há 1 década
    Resposta favorita

    Do nome Minas Gerais, que é o local de origem dessa polícia.

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  • tinha
    Lv 4
    Há 1 década

    de minas.

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  • Há 1 década

    Polícia de minas gerais uai...

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  • Anônimo
    Há 1 década

    Motivo da recente onda de ataques na capital fluminense, as milícias atuam como grupos paralimilitares e cobram taxas aos moradores. Cresceram diante da ineficiência do Estado em combater a criminalidade

    O Rio de Janeiro é uma cidade partida entre o morro e o asfalto e repartida entre facções criminosas rivais. A mais nova delas é uma organização paramilitar. Funciona em regime de milícias e atende pelo nome de “polícia mineira”. Ganhou o apelido porque seus integrantes vivem de “garimpar”, de procurar minuciosamente traficantes e de liquidá-los às sombras da lei. Os milicianos conhecem a lei.

    São bombeiros, agentes penitenciários e policiais travestidos de justiceiros. Andam fortemente armados, eliminam inimigos, conquistam favelas e ditam regras de conduta. Comercializam serviços de transporte e de gás, cobram taxas de proteção contra bandidos e vendem ilusões de segurança para comunidades carentes.

    O berço dos milicianos fica em Rio das Pedras, na Zona Oeste. Tem 60 mil moradores que pagam cerca de R$ 30 por mês para a “mineira”, mas acham que vale a pena. “Aqui posso trabalhar e deixar meu filho na rua”, explica Maria Rodrigues, doméstica, dois filhos, um de 18 anos e outro de 12. “A mineira proíbe a prostituição, o roubo e o tráfico. Quem desobedece tem três chances. Depois, a pessoa some daqui. É uma guerra.”

    Só nas últimas três semanas as batalhas entre milicianos e traficantes mancharam de sangue as festas de fim de ano dos cariocas e mataram 19 brasileiros, sendo oito inocentes queimados vivos dentro de um ônibus. A tragédia contaminou os discursos de posse política e obrigou o governador Sergio Cabral a pedir o socorro das tropas federais. Até julho, 7,7 mil integrantes da Força Nacional de Segurança desembarcam no Rio de Janeiro, que não continua lindo. A tropa de elite vai encontrar um território conflagrado pelo narcotráfico e por colegas de farda.

    Das 510 favelas contabilizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Rio, 92 estão dominadas por milicianos — há 20 meses eram apenas 42. É um crescimento impressionante que potencializa a sede de vingança mútua, preocupa os especialistas em segurança e acrescenta ingredientes inéditos em três décadas de violência urbana no Rio. A “polícia mineira” não é uma quadrilha de bandidos como outra qualquer. Funciona com a conivência do Estado e com funcionários do Estado.

    “É fato sabido que várias comunidades pobres, alvos prediletos de quadrilhas de narcotraficantes, passaram a sofrer uma espécie de controle com características de serviço policial, que reúne, em regra, policiais e outros integrantes de órgãos de segurança”, admite o tenente-coronel Mário Sérgio de Brito Duarte, comandante do Batalhão de Operações Especiais, o Bope, durante a gestão da ex-governadora Rosinha Garotinho.

    Poderes paralelos

    A formação de bandos paramilitares não é uma desgraça exclusiva do Rio de Janeiro e reflete um estágio avançado de falência do Estado nas questões sociais. “As milícias paramilitares multiplicam-se por vários países latino-americanos, como Colômbia, Haiti, e agora, no Rio. São poderes paralelos, fora da ordem democrática”, explica o antropólogo Rubem César Fernandes, diretor da organização não-governamental Viva Rio, uma das mais atuantes na busca de soluções para amenizar o clima bélico na cidade.

    Na opinião do antropólogo, as milícias não libertam os moradores da sensação de viverem sitiados pelo crime organizado. Ao contrário, os aprisionam a uma nova modalidade de crime. “Elas parecem resolver um problema imediato de domínio territorial pelos criminosos. Mas criam um novo problema, a tirania dos grupos locais. É uma tendência crescente, fruto da fragilidade do Estado.

    “Chega a ser patético. A gente aqui na Cidade de Deus paga R$ 5 pelo gás. Ali em frente em Rio das Pedras são R$ 35. Aqui os traficantes bancam. Lá é a “mineira”. As duas alternativas são muito ruins”, desaba Aline Vieira, 35 anos, professora e moradora de Cidade de Deus, região dominada pelo principal rival das milícias, o Comando Vermelho, o CV, mais antiga organização criminosa do Rio de Janeiro.

    O CV nasceu nos anos 70 e, ainda hoje, controla de 60% dos morros — chegou a dominar 80% no final dos anos 90, mas perdeu espaço tanto para as milícias quanto para seus arquinimigos mais antigos — os chamados Terceiro Comando e os Amigos dos Amigos (ADA).

    O Comando Vermelho é muito mais do que uma quadrilha de vendedores de cocaína. É uma empresa com estatuto próprio, hinos, marcas de roupa e alguma história. Surgiu com o nome de Falange Vermelha, no presídio de Ilha Grande, com a inspiração de líderes da esquerda que lutavam contra a ditadura militar e estavam na mesma carceragem. O CV, no entanto, jamais teve qualquer cunho ideológico. Seus negócios estão concentrados na compra de armas, na venda de drogas e na matança dos inimigos. O maior deles é a “polícia mineira”.

    “Mineiros”: início nos anos 70

    Os “mineiros” se autodenominam comando azul e suas raízes datam do final dos anos 70, em Rio das Pedras, próxima a Jacarepaguá e a 15 minutos da badalada Barra da Tijuca, na Zona Sul do Rio. Ali, em 1978, os moradores, a maioria nordestinos, e muitos deles policiais, se organizaram para expulsar bandidos que aterrorizavam a comunidade. Venceram e desde então as milícias cuidam da segurança da área.

    A população vive livre do tráfico de drogas, mas presa a um sistema jurídico, tributário e social paralelo, onde traficantes, prostitutas e ladrões pertencem à escória. São julgados numa espécie de processo judicial que se confunde com a lei de talião — fazer justiça com as próprias mãos.

    “Primeiro existe uma advertência, e na terceira vez que a pessoa infringe a lei local, pode ser morta ou expulsa. Evidentemente, são formas arbitrárias”, explica o sociólogo Marcelo Baumann Burgos. “Em Rio das Pedras, a ação coercitiva está ligada às regras que são, até certo ponto, transparentes. Existe um código penal ali que diz quais são os crimes e qual é o processo”.

    Organizador do livro A Utopia da Comunidade: Rio das Pedras, uma favela carioca, editado pela Pontíficia Universidade Católica do Rio (PUC-Rio), Buamann mergulhou no cotidiano da favela e descobriu que a população contribui com uma taxa mensal que varia de acordo com a renda da família e é administrada pela associação de moradores para garantir a proteção da comunidade.

    A associação de moradores também vende gás, administra o transporte de vans, comercializa instalações clandestinas de televisão a cabo e distribui cestas básicas. É a substituta do Estado e o braço legal dos milicianos. “A força da associação de moradores passa pelos mecanismos de coerção. Há, inclusive, a presença de moradores que são policiais e que fazem a base da polícia local”, explica o sociólogo, doutor pelo Instituto Universitário de Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro, o IUPERJ, e professor da PUC.

    No início do século 21, Rio das Pedras começou a exportar seu modelo paramilitar para outras regiões cariocas. “Mas há diferenças enormes entre as raízes iniciais em Rio das Pedras e o que vemos hoje. Inicialmente, nos anos 80, esses grupos eram formados por policias, aposentados ou da ativa, que moravam na própria comunidade e se uniram contra os bandidos”, explica Julita Lengurber, diretora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes. “Agora, esses grupos se organizam do lado de fora da favela e invadem a área, destituindo os traficantes do poder.”

    Primeiro existe uma advertência, e na terceira vez que a pessoa infringe a lei local, pode ser morta ou expulsa. Evidentemente, são formas arbitrárias

    Fonte(s): Ana Beatriz Magno Correio Braziliense
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