Qual é a relação entre currículo oculto e sociedade?

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Não é oportuno dissertar agora sobre o conceito de currículo oculto, mas temos que exemplificar a sua complexidade, para justificar a sua abrangência e o papel que lhe atribuimos na criação de condições e de resultados da aprendizagem escolar.

Se quisermos enumerar as designações por que é conhecido este mundo de realidades nublosas, mas insistentemente presentes, teríamos que, em justiça, referir os que se ocuparam delas, sem lhes atribuirem esse rótulo, e passar, depois, por termos como: currículo encoberto, escondido, implícito, latente ou, pela negativa, não intencional, não conhecido, não observável, não estudado ou não escrito.

Depois de anos de investigação, pode-se dizer que o carácter "não intencional" está em dúvida, e que o "não conhecido", o "não observável" e "não estudado", rigorosamente, já se não justifica. Já sabemos que nada na escola é neutro, que os alunos aprendem coisas muito para além do que lhes é ensinado pela via instrucional "em virtude da sua experiência diária num cenário organizativo com as características sociais da escola" (Dreeben, 1976); que os procedimentos organizacionais têm incidências nos valores e motivações dos alunos; que os conteúdos dos manuais veiculam mensagens implícitas; que as expectativas em relação aos alunos tendem a realizar-se; que algumas das coisas mais importantes que a Escola ensina não são mencionadas no currículo oficial, ou nos manuais; que há um conjunto vasto de aprendizagens "osmóticas" resultado mais das acções e das vivências dos alunos do que das aprendizagens escolares formais. Enfim... um mundo de coisas já sabidas ou, pelo menos, um campo vasto de pistas de investigação.

A formação dos professores está naturalmente submetida às influências de um currículo não manifesto e tanto mais, quanto menos clarificarmos essas influências.

Há quem afirme que "o comportamento profissional dos professores está mais ligado com os efeitos ocultos das práticas e das instituições em que se formaram, do que com os conteúdos explícitos do currículo com que se pretendeu prepará-los" (Sacristan e Gomez, 1985:18). Creio que não temos estudos bastantes que nos permitam para já, estabelecer esta relação de forças entre os dois conjuntos de influências, mas é inegável que há forças modeladoras nas instituições de formação que podem ter efeitos perversos e contrários aos objectivos e ao discurso explícito. [Há-os também de efeitos positivos e desejáveis]. O conhecimento destruiu a ingenuidade. A força do oculto só prevalecerá na medida do nosso desconhecimento, ou do nosso consentimento. Neste último caso, foge-se à definição de "não intencional" e não será "oculto" para ninguém.
Em Sociologia, uma sociedade é o conjunto de pessoas que compartilham propósitos, gostos, preocupações e costumes, e que interagem entre si constituindo uma comunidade. A sociedade é o objeto de estudo das ciências sociais, especialmente da Sociologia.
abrçs
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