O processo de comoditização desenrola-se assim:
1. A empresa explora um novo mercado com um produto exclusivo que satisfaz melhor do que os concorrentes as necessidades dos clientes.
2. Pressionada pelas forças competitivas a engenharia acaba desenvolvendo funcionalidades que superam as necessidades dos clientes das camadas mais baixas do mercado.
3. Tal situação precipita uma mudança das bases de competição nessas categorias que…
4. Desencadeia a evolução para sistemas modulares e abertos que
5. Tornam difícil diferenciar o produto ou desempenho em relação aos rivais que têm acesso aos mesmos inputs e desenvolvem o produto com os mesmos padrões.
Quando alguém numa determinada indústria diz tristemente “porque é que eles acham caro o nosso produto? Então eles não percebem que o nosso produto é melhor que o da concorrência?” é porque talvez ainda não tenham percebido que estão num negócio de commodities…
Os negócios que se encontram na situação de competição baseada em commodities têm duas alternativas: ou são expulsos do mercado pelos players com vantagens de custo superiores ou reconfiguram a organização procurando mercados ou pontos da fileira onde as rendibilidades são mais atraentes. Isto é, escalam o mercado ou controlam outros elos da fileira.
Os desafios são enormes para a indústria portuguesa, uma indústria de commodities, que agora enfrenta outros players com vantagens de custo superiores – a China, vista como a “fábrica de commodities do mundo”.
Por conseguinte, para fugir desta armadilha e garantir a perenidade da empresa, a estratégia a seguir é aquela que contribui com retornos financeiros superiores, isto é, produtos com maior valor. Assim o processo inverso da rota da descomoditização segue estes passos:
1. Para fugir do negócio de baixo custo e pouco valor adicionado as empresas avançam mercado acima à procura de rendibilidade.
2. A escalada é determinada por desempenho interdependente entre sistemas e subsistemas.
3. Obriga a engenharia a conceber arquitecturas interdependentes e exclusivas.
4. Com rendibilidades mais atraentes.
5. (A criação de produtos exclusivos é o início de um novo ciclo.)
É este hoje o grande problema do modelo de desenvolvimento de Portugal: a capacidade de adicionar ou criar outros produtos com outro valor
bjuu

