ACESSE:
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3 Caracterização do gênero fábula
3.1 Contexto histórico
De acordo com Nelly Novaes Coelho fábula “é a narrativa (de natureza simbólica) de
uma situação vivida por animais que alude a uma situação humana e tem por objetivo
transmitir certa moralidade.” (2000, p. 165).
Segundo a autora, a palavra fábula, de origem latina, significa “contar”, “narrar”, o
que nos leva crer que esse gênero teve origem e se firmou inicialmente na tradição oral.
No Ocidente, as primeiras notícias que se tem desse gênero surgiram no século VI
a.C. através do suposto escravo grego Esopo. Na verdade, não há confirmação de que esse
fabulista tenha existido, pois não houve nenhum registro escrito. Suas histórias foram
transmitidas através da oralidade. Ele criou as narrativas conhecidas como “A galinha e os
ovos de ouro”, “O asno, a raposa e o leão”, “O corvo e o jarro”, entre outros.
No século I a C., aproximadamente, Fedro, um escravo romano, aperfeiçoa esse
gênero, inicia os registros escritos das narrativas de Esopo e, também, cria suas próprias
fábulas. Fedro satirizava costumes e a sociedade da época. Suas principais narrativas são “O
lobo e o cordeiro”, “A raposa e o corvo”, etc.
No século XVII, surge o fabulista francês La Fontaine. Ele retoma as fábulas de Esopo
e La Fontaine e, também, criou suas próprias. Podemos citar como popular “A cigarra e a
formiga”. Segundo Oliveira (2007), “os textos de La Fontaine não apresentam grande
originalidade temática, mas recebem um tempero de fina ironia”.
No Brasil, é importante validar a participação, entre outros, de Monteiro Lobato e de
Millor Fernandes na (re)produção desse gênero. O primeiro reconta em prosa as fábulas de
Esopo, Fedro e La Fontaine e, após cada narrativa, o autor traz, através dos personagens do
Sítio do Pica-Pau Amarelo discussões sobre o tema abordado na fábula. O segundo, recria
fábulas de maneira irônica através de situações do cotidiano moderno.
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3.2 Características da fábula
As fabulas são pequenas narrativas em que animais são os personagens protagonistas.
Nessas histórias o comportamento humano é criticado através de atitudes de animais: que
poderiam ser bons, maus, inteligentes, não muito espertos, vingativos, inocentes, gulosos,
ardilosos, entre outros.
Geralmente esses animais são representados por raposas, pavões, lobos, ovelha,
formigas, cegonha, cigarra. Sendo que cada um deles representa/apresenta características
tipicamente humanas. Por exemplo: o leão representa força e poder, cordeiro representa a
ingenuidade, a raposa simboliza a esperteza. De acordo com Coelho (2000, p. 166), La
Fontaine explicita em sua primeira coletânea de fábulas que serve-se de animais para instruir
os homens.
Geralmente, essas narrativas apresentavam explicita ou implicitamente uma lição de
moral. Desse modo, esse gênero servia, inicialmente, para distrair e moralizar, pois assim as
pessoas poderiam ser facilmente acreditar em determinados valores que eram considerados
socialmente aceitos. Isso pode ser percebido na atualidade, pois os pais ainda contam essas
histórias com a finalidade de entreter e, também, educar, de construir e perpetuar valores.
Além da típica moralidade, esse gênero apresenta uma estrutura relativamente fixa,
contendo situação inicial, obstáculo, tentativa de solução, situação final e, por fim, a moral.
De acordo com a ordem dos agrupamentos propostos por Dolz e Schneuwly (2004), o
gênero fábula pertence ao domínio social de comunicação da cultura literária ficcional, da
ordem do narrar.
3 Metodologia
O corpus dessa análise é composto por uma unidade do terceiro volume de uma
coleção de livro didático de Língua Portuguesa do ensino fundamental (primeiro ciclo)
utilizado por uma das maiores escolas da rede particular de Maringá, Paraná.
A escolha desse gênero foi determinada pela familiaridade que as crianças têm com
esse gênero, já que ele faz parte da tradição oral e são transmitidas de pais para filhos, de
geração para geração.
A partir dos pressupostos já apresentados, voltaremos nosso olhar para o modo como
as atividades propostas na unidade analisada a fim de verificarmos se elas favorecem o
desenvolvimento das capacidades de linguagem do aluno.
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