Um dos clichês mais famosos em relação ao diabetes é o de que a dieta é a pedra angular do tratamento. Muitos pacientes portadores de diabetes não insulino-dependente conseguem manter-se perfeitamente compensados apenas com dieta e eventualmente aumento de exercícios físicos. A grande maioria dos pacientes portadores de diabetes tipo II, não insulino-dependentes, são obesos. O segundo fato importante é que nos pacientes obesos a ação da insulina é prejudicada em muitos aspectos, essa ação melhora dramaticamente quando o paciente perde peso. Uma vez que a resistência à insulina é uma das alterações fundamentais do diabetes tipo II, a abordagem terapêutica mais racional para esses pacientes é implementar uma perda de peso, baseada em dieta apropriada. Só existem duas maneiras de perder peso, consumir menos calorias e aumentar o exercício físico. O resto é o resto.
O plano dietético do diabético consiste em uma dieta normal modificada, com restrição de hidratos de carbono. No diabético obeso a quantidade de calorias é restrita, de forma a permitir perda de peso. Se o indivíduo tem peso normal, deve manter as calorias. Se o paciente tiver outros problemas, que não raro se associam ao diabetes, como aumento de ácido úrico, lípides ou hipertensão, terá que adaptar sua dieta pois, também essas condições exigem restrições alimentares. Os alimentos são a principal fonte de energia para o organismo. Seu valor energético é medido em calorias. A quantidade de calorias necessária varia muito de indivíduo a indivíduo. Disciplina é fundamental no controle do diabetes. É importante o estabelecimento de horários e hábitos alimentares regulares.
Hidratos de carbono
Dividem-se em dois grupos:
* Hidratos de carbono simples
* Hidratos de carbono complexos
Os hidratos de carbono simples necessitam de uma digestão mínima e são absorvidos diretamente, de tal maneira que quando ingeridos, os níveis de glicemia sobem rapidamente. Portanto alimentos desse grupo devem ser evitados. Exemplos de hidratos de carbono simples: açúcar, mel, geleia, compotas, marmelada, suco de frutas industrializado, refrigerantes, gelatina, doces, chocolate, cerveja, frutas em conserva, tortas, massas, biscoitos doces, pudins, etc.
Os hidratos de carbono complexos necessitam de uma digestão mais elaborada, sendo absorvidos mais lentamente, de tal forma que a glicemia não sobe tão rapidamente. Estes alimentos podem ser ingeridos com moderação, em quantidades equilibradas e divididas ao longo do dia. Exemplos de hidratos de carbono complexos: pão, bolacha de água e sal, cereais matinais não adoçados, mingau de aveia, legumes, macarrão e massas em geral, arroz, feijão, farinhas, sopas, vegetais ricos em amido como batata, milho, etc. Deve-se ter cautela com alimentos dietéticos, light, especiais para diabéticos, etc. Muitos, como chocolate dietético, por exemplo, não oferecem vantagens, não são livres de açúcar e induzem o diabético a pensar que pode ingeri-los livremente. Deve-se sempre ler os rótulos e conferir os ingredientes antes de consumir esse tipo de alimento. Alimentos e bebidas que empregam adoçantes artificiais podem ser utilizados com moderação. Aqui se inclui gelatinas, refrigerantes e sucos de frutas. Frutas comuns enlatadas e alimentos adoçados com sacarose, glicose, xilitol, lactose e sorbitol devem ser ingeridos com precaução, uma vez que têm hidratos de carbono simples de fácil absorção.
Fibras
Muitos alimentos, particularmente aqueles de origem vegetal, são ricos em fibras, que facilitam a passagem dos alimentos através do estômago e intestino. Uma dieta rica em fibras é ótima para a saúde. Exemplo de alimentos ricos em fibras: pão integral, arroz integral, frutas cruas, incluindo a pele sempre que possível, vegetais frescos e vegetais cozidos com a casca, legumes, cereais integrais, etc. Uma dieta rica em fibras também é útil ao ajudar o organismo a diminuir os níveis de colesterol.
Proteínas
São necessárias para a manutenção e crescimento das células. Sua ingestão é fundamental, porém não precisa ser exagerada. Exemplos de alimentos ricos em proteínas: carne, leite e derivados e ovos.
Gorduras
As gorduras representam a maior concentração de calorias em qualquer dieta. Enquanto 1 g de carboidratos ou proteínas tem 4 Kcal, 1 g de gordura tem 9 Kcal e para o diabético, manter o peso estável é fundamental. Existem dois tipos fundamentais de gorduras, as saturadas e as insaturadas. As saturadas devem ser evitadas, seu uso não ultrapassando 10% das calorias ingeridas, pois são as responsáveis por aumentos consideráveis nos níveis do colesterol sérico, principalmente na fração LDL, incrementando o risco cardiovascular (que leva ao infarto, por exemplo).
Geralmente alimentos de origem animal como carne, leite e derivados e gema de ovo, bem como alguns de origem vegetal como coco, amendoim, nozes, amêndoas e assemelhados e frutas secas são ricos em gordura saturada. Carnes vermelhas têm mais gordura do que carnes brancas, de frango ou peixe.
Alguns alimentos como camarão, caranguejo, lagosta e outros crustáceos, embora pobres em gordura, são ricos em colesterol. Outras fontes ricas em colesterol são as vísceras. O preparo dos alimentos desempenha papel importante no consumo de gorduras. Alimentos assados, cozidos ou grelhados são mais saudáveis. Durante a fritura, a alta temperatura aumenta o teor de gorduras saturadas. No preparo das carnes, deve-se tomar o cuidado de retirar a gordura ou a pele do frango ou peixe antes do cozimento. Já as gorduras insaturadas são aquelas de origem vegetal. É fácil distinguir entre os dois tipos de gorduras: as saturadas são sólidas em temperatura ambiente, enquanto as insaturadas são líquidas. Os óleos líquidos à temperatura ambiente, são ricos em gorduras insaturadas, possuindo baixo teor de gordura saturada, podendo contribuir para uma redução dos níveis de colesterol sérico. Exemplos desses óleos são os de canola, milho, girassol, soja e oliva.
Deve-se preferir usar leite desnatado e derivados de leite, como queijo, por exemplo, também obtidos a partir de leite desnatado (queijos brancos e ricota).
O diabético, uma vez que tenha compreendido bem sua dieta, pode comer normalmente em restaurantes. Deve evitar alimentos desconhecidos cujos ingredientes desconheça e, obviamente, aqueles contra-indicados ao diabetes. Da mesma forma, pode e deve comparecer a festas e comemorações. Principalmente as crianças, que não devem se sentir diferentes ou excluídas pelo fato de serem diabéticas. A criança diabética deve ser instruída a dar preferencia aos salgados e salgadinhos, evitando os doces e balas. A mãe pode levar de casa, ou combinar com quem dá a festa para que providencie refrigerantes, gelatina e até algum docinho dietético. É sempre importante, após esses eventos, determinar o valor da glicemia e administrar 1 dose extra de insulina de ação rápida, conforme orientação do médico, em caso de necessidade.
Beijo
Consulte o site:
http://www.geocities.com/hotsprings/vill…