Primeiro, onde você ouviu essa estória de que o espaço é uma constante?
Parece é que você já está considerando isso. e se você já parte desse princípio, não há como mexer no espaço, daí não ser possível deformar o espaço.
Entendeu? Você já está determinando que não é possível defomar, e pede explicações sobre "de onde veio essa tal deformação", ou seja, será difícil "acreditar" numa "deformação de uma constante".
A discussão aí já deixa de ser científica porque não obedece ao princípio da não precipitação (não se investigar já querendo provar um resultado, porque isso afeta a imparcialidade da investigação).
Segundo, a expressão "continuum espaço-tempo" (ou "espaço-tempo contínuo") apenas tenta enfatizar a idéia de que espaço e tempo não são desassociados um do outro (no espaço de Minkowsky, aliás, o espaço quadridimensional trata de uma quarta dimensão associada ao tempo, e não exatamente o tempo), e que mudam continuamente ("o tempo passa").
Não somente Einstein fala de dimensões acima da terceira. Hoje se trabalha com hipóteses de 11 ou 12 dimensões no início do Universo.
E é possível (e até um bocado simples) trabalhar com qualquer número de dimensões inteiras (também há dimensões fracionárias, o que é complicado) até com Geometria Analítica simples. O termo "Hiperespaço" vem exatamente daí, e quer dizer "mais que 3 dimensões".
Por isso fala-se de hiperespaço quando se quer trabalhar com 4 dimensões (mas vale para qualque outro número maior de dimensões).
Como o "Cesar G" mencionou, podemos ter figuras geométricas hiperdimensionais, como o hipercubo (um cubo em 4 dimensões). Só que não podemos enxergar as 4 dimensões simultaneamente, por isso vemos "sombras" em 3 dimensões do que existiria em 4 (ou mais).
Como uma foto (2 dimensões) não nos permite apreciar todos os aspectos de um corpo em 3 dimensões (por exmeplo, se o corpo "virar de lado" sua sombra parecerá indicar que o corpo mudou de forma).
Por exemplo, a distância entre 2 pontos em 2 dimensões pode ser calculado por:
d ^ 2 = (x2 - x1) ^ 2 + (y2 - y1) ^ 2
(aqui, o operador ^ quer dizer potenciação, então "d ^ 2" quer dizer "d ao quadrado")
E em 3 dimensões? Seria
d ^ 2 = (x2 - x1) ^ 2 + (y2 - y1) ^ 2 + (z2 - z1) ^ 2
Simples o acréscimo das componentes da terceira dimensão (z).
Da mesma maneira podemos acrescentar outra dimensão (ou mais de uma), escolhendo uma letra para representá-la, digamos w para as componentes da quarta dimensão e u para as componentes da quinta dimensão.
Assim, o ponto p1 em 5 dimensões poderia ser escrito como
p1 = (x1, y1, z1, w1, u1)
(assim como um ponto p em 2 dimensões pode ser escrito como p = (x, y))
e um outro ponto p2 seria
p2 = (x2, y2, z2, w2, u2)
Essa notação nos permite calcular a distância (em 5 dimensões) entre os dois pontos:
d ^ 2 = (x2 - x1) ^ 2 + (y2 - y1) ^ 2 + (z2 - z1) ^ 2 + (w2 - w1) ^ 2 + (u2 - u1) ^2
É Geometria Analítica do Ensino Médio, só que lá, normalmente, não se fala de mais que 3 dimensões, por isso hiperdimensões parece estranho (é novidade).
No espaço de Minkowsky (que já citei), a quarta dimensão está relacionada ao tempo por:
tau = - i c t
onde i é o número imaginário "raiz de -1", c é a velocidade da luz e t é o tempo. E um ponto (ou um "evento", como é lá chamado) quadridimensional pode ser escrito como:
e = (x, y, z, -ict)
Veja que é definido a partir das "trê dimensões" x, y e z, mais uma dimensão que é função do tempo t.
E é possível calcularmos pontos (ou eventos) neste espaço diferente, sem que isso seja um absurdo.
Por exemplo, um evento temporal (quando a posição não muda, apenas há uma variação de tempo) é quando temos :
e1 = (3, 6, 2, 4)
e
e2 = (3, 6, 2, 8)
porque a "distância" (ou o evento) quadridimensional será
e ^ 2 = ( 3 - 3 ) ^ 2 + ( 6 - 6 ) ^ 2 + ( 2 - 2 ) ^ 2 + ( 8 - 4 ) ^ 2
e ^ 2 = 0 ^ 2 + 0 ^ 2 + 0 ^ 2 + 4 ^ 2 = 0 + 0 + 0 + 16
donde
e = 4
A distância (ou o módulo do evento) é 4, e é chamade de evento temporal porque a "distância quadridimensional" do tempo é maior que a "distância quadridimensional" do espaço (neste caso.
Em outras palavras, se e1 é a posição de um corpo no tempo 1 e e2 a posição de um corpo no tempo 2, o tempo que passou (na verdade, um "comprimento" relacionado ao tempo) foi "maior" que a mudança de posição do corpo.
E como o evento temporal e = 4 e um evento temporal está relacionado ao tempo pot tau = - i c t, e chamando e de tau, temos:
4 = - i c t
de onde podemos calcular quanto tempo passou entre e1 e e2.
É uma forma de calcular tempo junto com o espaço sem ser absurdo a mitura do dois.
Mas é preciso que nos acostumemos a interpretar coisas "estranhas" (na verdade, diferente do que estamos acostumados) como essa.
E tem mais novidades: estuda-se o espaço não com o espaço (geométrico) euclidiano, que é estudado na escola. Mas em "espaços não-euclidianos", como o Espaço curvo de Rieman.
Todas estas novidades são tão estranhas para nós que as achamos absurdas. Mas é apenas porque não aprendemos na escola básica.
É por iso, e não porque alguém que manter segredo, que é preciso estudar (principalmente matemática) muito além da escola básica para entendermos coisas como "curvatura do espaço-tempo".
Essa tal curvatura do espaço-tempo é a "deformação do espaço-tempo" que é mencionada na pergunta.
E é a explicação, sob o ponto de vista da relatividade geral, da força gravitacional.
Enfim, não são coisas absurdas, apenas escapam às limitações da escola básica. E escapa muito mais ao senso comum.