Na verdade, o preconceito se estende a quase (senão todos) os campos de nosso cotidiano. É algo remanescente de nossos instintos, o medo do novo, desconhecido... É óbvio que isso explica, mas, de forma alguma, justifica, afinal, se somos animais, ao menos somos racionais e controlamos nossos instintos quando assim é necessário, não é mesmo?
Campanhas publicitárias em massa, de fato, contribuem. Porém, como já dito, esse mal, chamado preconceito, estende seus tentáculos por toda a parte e não podemos ficar "sorteando" qual o tipo de vítima que devemos proteger agora.
Se queremos mesmo mudar esta realidade, devemos pensar em como atacá-la como um todo e aqui, embora não seja nosso intuito, polemizaremos. Senão, vejamos algumas das feridas em que tocaremos:
AIDS, deficiência física, síndrome de Down (isso só para citar doenças e/ou deficiências). Sequer estamos falando de questões como discriminação racial, religiosa, sexual, entre tantos outros tipos.
A primeira consciência que nos falta é a de que as aparências - sobretudo as de realidades que, como indivíduos, ainda desconhecemos - costumam nos enganar perversamente (muitas vezes de forma irreparável).
A segunda consciência, com freqüência ausente e conseqüência da primeira, é a de que o fato de não conhecermos determinada realidade invalida qualquer conjectura (o famigerado "achismo") ou sentença que possamos querer declarar sobre a mesma.
Eu convidaria a cada um que lê este tópico a refletir sobre a escravidão a que o ser humano se submete quando dispara uma dessas sentenças, que matam mais que muita bala.
A terceira consciência que deveria ser desperta, tal qual um vulcão adormecido, é a de que existimos individual e coletivamente. Parece ridículo levantarmos essa questão aqui? Aliás, partindo do pressuposto da obviedade do exposto, seria mesmo isso uma questão?
Quando falo de existir individualmente, falo de buscar nossa própria resposta em meio às "verdades absolutas", como a de que é normal em dada situação, fazermos chacotas a epiléticos por tomarem determinado medicamento que popularmente é conhecido por "remédio de louco". Aqui devemos fazer a diferença.
Quanto à existência coletiva, trata-se de observarmos que cada um de nós pertence a algum tipo de grupo que também é motivo de chacota, seja ele por tipo de conduta, vestimenta, gosto, deficiência, crença e que, apesar, ou melhor, mesmo com toda esta suposta diferença, temos a ela mesma, diversidade, como denominador comum e é isso que nos faz um ser coletivo, a humanidade.
Ser humano, ser você.
Ser humano, sermos nós.