GUERRA NA SIBÉRIA?
BRINCADEIRA...
A guerra fria é a designação dada ao conflito político-ideológico entre os Estados Unidos (EUA), defensores do capitalismo, e a União Soviética (URSS), defensora de uma forma de socialismo, compreendendo o período entre o final da Segunda Guerra Mundial e a extinção da União Soviética.
É chamada de "fria" porque não houve qualquer combate físico, embora o mundo todo temesse a vinda de um novo combate mundial, por se tratarem de duas potências com grande arsenal de armas nucleares. Norte-americanos e soviéticos travaram uma luta ideológica, política e econômica durante esse período. Se um governo socialista era implantado em algum país do Terceiro Mundo, o governo norte-americano logo via aí uma ameaça a seus interesses; se um movimento popular combatesse uma ditadura militar apoiada pelos EUA, logo receberia apoio soviético.
Com o término da Segunda Guerra Mundial, estabeleceu-se uma política global bipolar, ou seja, centrada em dois grandes pólos (denominadas na época superpotências): EUA e URSS. Formadas por ideais distintos, ambos os pólos de poder tinham como principal meta a difusão de seus sistemas políticos e culturais no resto do mundo.
Os EUA defendiam a política capitalista, argumentando ser ela a representação da democracia, da liberdade e da liberdade individual. Em contrapartida a URSS enfatizava o socialismo como resposta ao domínio burguês e solução dos problemas sociais.
Sob a influencia das duas doutrinas, o mundo foi dividido em dois blocos liderados cada um por uma das superpotências: A Europa Ocidental e a América Central e do Sul receberam forte influencia cultural e econômica americana; a maior parte da Ásia e o leste europeu, sob domínio soviético.
Bloqueio de Berlim (Junho/1948 - Maio/1949)
Após a derrota alemã na Segunda Guerra, os países vencedores impuseram pesadas indenizações. Entre elas a divisão da Alemanha em 4 zonas de influência, cada uma chefiada pelos vencedores: Estados Unidos, França, Reino Unido e União Soviética. Berlim, a capital da Alemanha nazista, também foi dividida, mesmo estando totalmente em território de influência soviética. Então a comunicação entre o trecho ocidental da cidade fragmentada e as outras zonas era feita por pontes aéreas e terrestres.
Em 1948, numa tentativa de controlar a inflação galopante da Alemanha, os Estados Unidos, a França e o Reino Unido criaram uma "trizona" entre suas zonas de influência, para fazer valer nestes territórios o Deutsche Mark (marco alemão). Josef Stalin, então líder da URSS, reprovou a idéia, e, como contra-ataque, buscou reunificar Berlim sob sua influência. Desse modo, em 23 de Junho de 1948, todas as rotas terrestres foram fechadas pelas tropas soviéticas, numa violação dos acordos da Conferência de Yalta.
Para não abandonar as zonas ocidentais de Berlim e dar vitória à União Soviética, os países ocidentais se prontificaram a criar uma grande ponte aérea, em que bombardeiros americanos saíam da "trizona" levando mantimentos aos mais de dois milhões de berlinenses que viviam no ocidente da cidade. Stalin reconheceu a derrota dos seus planos em 12 de Maio de 1949. Pouco depois, as zonas americana, francesa e inglesa se unificaram, fundando a Bundesrepublik Deutschland (República Federativa da Alemanha, ou Alemanha Ocidental), cuja capital era Bonn. Da zona soviética, nasceu a Deutsche Demokratische Republik (República Democrática Alemã, ou Alemanha Oriental), com capital Berlim, a porção oriental.
Plano Marshall e COMECON
Com as nações européias frágeis, após uma guerra violenta, os Estados Unidos estenderam uma série de apoios econômicos à Europa aliada, para que estes países pudessem se reerguer e mostrar as vantagens do capitalismo. Assim, o Secretário de Estado dos Estados Unidos, George Marshall, propõe a criação de um amplo plano econômico, que veio a ser conhecido como Plano Marshall. Era uma série de empréstimos a baixos juros e investimentos públicos, para facilitar o fim da crise na Europa Ocidental e repelir a ameaça do socialismo entre a população descontente.
Em resposta ao plano econômico americano, a União Soviética se propôs a ajudar também seus países aliados, com a criação do COMECON (Conselho para Assistência Econômica Mútua). Este conselho tinha como meta a recuperação dos países orientais, também para mostrar como vitrine as benfeitorias que o socialismo fazia ao povo.
Corrida Armamentista
Terminada a segunda guerra mundial, as duas potências vencedoras dispunham de uma enorme variedade de armas, muitas delas desenvolvidas durante o conflito. Tanques, aviões, submarinos, navios de guerra constituíam as chamadas armas convencionais. Mas os grandes destaques eram as chamadas armas não-convencionais, mais poderosas, eficientes, difíceis de serem fabricadas e extremamente caras. A principal dessas armas era bombas automáticas. Só os EUA tinham essas armas, que aumentava em muito seu poderio bélico. A União Soviética iniciou então seu programa de pesquisas para também produzir tais bombas, o que conseguiu em poucos. Mais pesquisas foram sendo feitas, tanto para aperfeiçoar a bomba automática quando para produzir novas bombas. Em pouco tempo os EUA fabricaram a bomba de hidrogênio, seguidos pela União soviética. Essa corrida armamentista era movida pelo receio recíproco de que o inimigo passasse a frente na produção de armas, provocando um desequilíbrio no cenário internacional. Se um deles tivesse mais armas, seria capaz de destruir o outro. A corrida atingiu proporções tais que, já na década de 1960, Os EUA e a URSS tinham armas suficiente para vencer e destruir todos os países do mundo.
OTAN e Pacto de Varsóvia
Em 1949 os EUA e o Canadá, juntamente com a maioria da Europa capitalista, criaram a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), uma aliança militar, com o objetivo de proteção internacional em caso de um suposto ataque dos paises do leste Europeu.
Em resposta à OTAN, a URSS firmou entre ela e seus aliados o pacto de Varsóvia (1955) para unir forças militares da Europa Oriental. Logo as alianças militares estavam em pleno funcionamento, e qualquer conflito entre dois países integrantes poderia acender uma guerra nunca vista antes.
A tensão sentida pelas pessoas com relação às duas superpotências acentuou-se com o início da corrida armamentista, cujo “vencedor” seria a potência que produzisse mais armas e mais tecnologia bélica. Em contraponto, a corrida espacial trouxe grandes inovações tecnológicas e proporcionou um elevado avanço nas telecomunicações e na informática.
Com a vitória aparente dos americanos, a política Macartista, foi implantada e divulgada no mundo através de filmes e propagandas políticas. O Macartismo, criado pelo senador americano Joseph Macarthy nos anos 50, culminou na criação de um comitê de investigação de atividades anticomunistas. Em outras palavras, toda e qualquer atividade pró-comunismo estava terminantemente proibida e qualquer um que as estimulasse estaria sujeito à prisão ou extradição.
O primeiro grande confronto militar entre ideologias ocidentais capitalistas e orientais socialistas veio no sudoeste asiático, na década de 1950. A península da Coreia (Coréia no Brasil) foi dividia, em 1945, pelo paralelo 38º, em duas zonas de influência: uma ao norte, comunista e apoiada pela União Soviética e China - a República Popular Democrática da Coréia; e uma ao sul, capitalista e de apoio das nações ocidentais - a República da Coréia. Porém, em 1950, a Coréia do Norte, após severas tentativas de derrubar o governo do sul, a invadiu e ocupou Seul, desencadeando um conflito armado. Forças das Nações Unidas, apoiadas principalmente pelos Estados Unidos, fizeram a resistência no sul, reconquistando a capital coreana e partindo em uma investida contra o norte. A China, sentindo-se ameaçada pela aproximação das forças ocidentais, enviou reforços à frente de batalha, fazendo da Coréia um grande campo de batalha.
Após muitas brigas, um acordo de paz é negociado, mas demora dois anos. Um armistício é assinado em Pamunjon, em 27 de Julho de 1953, mantendo a Peninsúla da Coréia dividida em dois Estados soberanos, exatamente como antes do início da guerra. Esta divisão se mantém até hoje.
Um dos campos que mais se beneficiou com a Guerra Fria foi o de tecnologia. Na urgência de se mostrarem superiores aos rivais, Estados Unidos e União Soviética procuraram melhorar os seus arsenais militares. Como consequência, algumas tecnologias conhecidas hoje (como alguns tecidos sintéticos) foram frutos dessa corrida.
A corrida espacial está neste contexto. Tecnologias de lançamento de mísseis e de foguetes são muito próximas, e portanto os dois países investiram pesadamente na tecnologia espacial. No ano de 1957, os russos lançaram Sputnik, o primeiro artefato humano a ir ao espaço e orbitar o planeta. Em novembro do mesmo ano, os russos lançaram Sputnik II e, dentro da nave foi a bordo o primeiro ser vivo a sair do planeta: uma cadela laika, de nome Kudriavka. Ela morreu na reentrada da atmosfera, devido ao calor. Após as missões Sputnik, os Estados Unidos entraram na corrida, lançando o Explorer I, em 1958. Mas a União Soviética tinha um passo na frente, e em 1961 os soviéticos conseguiram lançar Vostok I, que era tripulada por Yuri Gagarin, o primeiro ser humano a ir ao espaço e voltar são e salvo.
A partir daí, a rivalidade aumentou a ponto de o presidente dos Estados Unidos, John F. Kennedy, prometeu enviar americanos à Lua e trazê-los de volta até o fim da década. Os soviéticos se apressaram para vencer os americanos na chegada ao satélite. As missões Zond deveriam levar os primeiros humanos a orbitarem a Lua, mas devido a falhas, só foi possivel aos soviéticos o envio de missões tripuladas, Zond 5 e Zond 6, em 1968. Os Estados Unidos, por outro lado, conseguiram enviar a missão Apollo 8 no Natal de 1968, que era tripulada, a uma órbita lunar.
O próximo passo, naturalmente, seria o pouso na superfície da Lua. A missão Apollo 11 conseguiu realizar com sucesso a missão, e Neil Armstrong e Edwin Aldrin tornaram-se os primeiros humanos a caminhar em outro corpo celeste.
Após a morte de Stalin, em 1953, Nikita Khrushchev subiu ao posto de Secretário-Geral do Partido Comunista da União Soviética e, portanto, governante dos soviéticos. Condenou os crimes de seu antecessor e pregou a política da coexistência pacífica entre os soviéticos e americanos, o que significaria os esforços de ambos os lados em evitar o conflito militar, havendo apenas confronto ideológico e tecnológico (corrida espacial). Houve apenas tentativas de espionagem. Esta política também possibilitou uma aproximação entre os líderes. Khrushchev se reuniu diversas vezes com os presidentes americanos: com Dwight D. Eisenhower se encontrou em 1956, no Reino Unido, em 1959 nos Estados Unidos e em 1960 na França; e com Kennedy se encontrou uma vez, no ano de 1961, em Viena, Áustria.
A "Segunda" Guerra Fria (1979-1985)
Após o ano de 1979, seguiu-se uma leve crise nas relações amistosas entre os Estados Unidos e a União Soviética. Isso deveu-se a alguns acontecimentos importantes, os quais:
Em 1979, a União Soviética invade o Afeganistão, assassinando Hafizullah Amin, e colocando em seu posto Brabak Karmal, que era a favor das políticas de Moscou. A este evento seguiu-se uma grande resistência, principalmente da parte dos mujahideen das montanhas afegãs. Eles eram abastecidos por outros países, como China, Arábia Saudita, Paquistão e o próprio Estado Unidos. Dez anos depois, os soviéticos tiveram que abandonar o país. Esta vitória dos mujahideen possibilitou depois a formação do grupo Taleban, que aproveitou a desordem no país para instaurar seu governo autoritário.
No mesmo ano de 1979 Margaret Thatcher foi eleita primeira-ministra do Reino Unido pelo Partido Conservador, e deu à política externa do país uma face mais agressiva contra o regime soviético.
Em 1981, Ronald Reagan foi eleito presidente dos Estados Unidos e, ao contrário de seus antecessores, que pregavam a Distensão, Reagan mostrou-se feroz na política externa, confrontando a União Soviética, fornecendo armamentos a Saddam Hussein, ditador iraquiano, na guerra Irã x Iraque e realizando diversas outras manobras no cenário internacional.
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